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Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010
Fim

Diz que tudo chega ao seu fim. Esta asserção é verdadeira, pelo menos, no que a este blogue diz respeito. Como poderá ter reparado o leitor mais atento, o ritmo e o interesse das publicações foi diminuindo há já bastante, com alguns interregnos criativos. Portanto, antes que caia simplesmente no esquecimento e venha a terminar numa vala comum, prefiro dar-lhe as últimas honras e o enterro merecido através deste texto.

Agradeço a todos os que me foram lendo, com maior ou menor frequência, desde o meu primeiro esboço de blogue, criado em 2003, embora não com este endereço, mas que para aqui transferi quando criei o «Muro» em 2005, sobretudo aos que deixaram comentários, incluindo os anónimos (que sei de quem são praticamente todos e os que não sei também não me fazem perder o sono), e também à miríade de enfermeiros irritados que tornaram um certo texto tão concorrido.

Agradeço também aos que ligaram os seus blogues ao meu e à equipa do Sapo pelas duas vezes que me destacou na sua página principal. Só não agradeço não me terem ligado nenhuma quando reclamei a propósito da utilização de adaptações mal amanhadas de vocábulos ingleses que não fazem sentido nenhum, são gramaticalmente errados e não deviam ser usados só porque a maioria é ignorante e adepta do facilitismo da tradução literal ao invés de ir ao dicionário ou de assumir com humildade a sua ignorância e perguntar a quem sabe.

Posto isto e antes que este texto comece a assemelhar-se a um discurso de agradecimento da noite dos Óscares mais do que já parece neste momento, só me resta despedir, fazendo notar, porém, que, tal como um conhecido político da nossa praça, isto não é necessariamente o fim, dado que vou andar por aí.



Lamentado por G.M.S.M.C. às 21:02
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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Porque a televisão também é instrutiva...

"99% das pessoas deste mundo são estúpidas e os restantes estão em risco de contágio."

 

O Xerife Daniels, no episódio "Miracle Man" da primeira temporada da série "Ficheiros Secretos", dirigindo-se a Fox Mulder sobre a crença popular num pretenso miúdo milagreiro.



Lamentado por G.M.S.M.C. às 10:28
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Sábado, 13 de Junho de 2009
A verdade é esta

Eu faço tanta falta ao mundo, que, se eu morresse hoje, o mundo só ia dar conta quando o vizinho do lado começasse a achar o cheiro a cadáver insuportável.




Quinta-feira, 11 de Junho de 2009
Adenda irritada

A pessoa a quem dedico este texto sabe quem é e ficou muito preocupada quando lhe disse que ia escrever no meu blogue a seu propósito. No entanto, como se poderá ver, não é nada de mais; é só a propósito dum comentário que essa pessoa me fez, pessoalmente, sobre o texto anterior que escrevi neste blogue.

É que, mantendo o que disse sobre encontrar a verdade nas palavras irritadas e não nas palavras bonitas da bonança, convém esclarecer que isso não significa que tais palavras correspondam a realidade. Ou seja: uma pessoa irritada diz a verdade sobre o que pensa, não significando isso que o seu pensamento esteja certo.

Isto dá uma certa margem de manobra à mudança de pensamento, mas não à mudança de verdade,. Se alguém me disser hoje, irritado, que o céu é verde, isso significa que essa pessoa acredita verdadeiramente que o céu é verde. Se a mesma pessoa, já calma, me disser amanhã que o céu, afinal, é azul, não poderá dizer que a afirmação sobre a cor verde foi resultado duma irritação momentânea, antes terá de admitir que era nisso que acreditava, que estava errada e que, entretanto, mudou de ideias.



Lamentado por G.M.S.M.C. às 21:02
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Sexta-feira, 15 de Maio de 2009
Irritações

"Não estava em mim." "Estava fora do sério." "Não era bem isso que eu queria dizer." Depois duma discussão, vêm estas e outras explicações para o facto de se ter dito coisas que não se devia; a moral da história é que o que se disse enquanto se estava irritado foi fruto da ira e não corresponde, de todo, ao pensamento oficial da pessoa que proferiu tais afirmações.

O que eu cada vez mais acredito é que, bem pelo contrário, as palavras que saem nesses momentos de irritação é que são as verdadeiras. É quando estala o verniz que se vê a qualidade da madeira que está por baixo. É quando uma pessoa está irritada que aquilo que ela pensa e sente lá no fundo e que lá por baixo fica, bem escondido por camadas sobrepostas das educação, empatia, bom senso e um apurado sentido do "politicamente correcto", como agora é tão habitual dizer-se, vem ao de cima. As barreiras conscientes que habitualmente se interpõem entre essas palavras e os lábios caem e estes deixa finalmente sair o que vai lá no fundo.

Ou seja, acredito mais no que me diz uma pessoa irritada do que no que me diz essa mesma pessoa quando a calma a deixa filtrar as palavras que tem para mim.



Lamentado por G.M.S.M.C. às 21:28
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Domingo, 10 de Maio de 2009
Comentário à vida antes de 1986

Recebi duma amiga, por correio electrónico, a seguinte mensagem, de que transcrevo o essencial, depois de lhe corrigir os erros ortográficos e gramaticais, que são uma coisa que me causa comichão e que cada vez mais pulula por aí:

«De acordo com os reguladores e os burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos sessenta, setenta e princípios de oitenta não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhas de bebé eram pintadas com cores bonitas, em tinta à base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos. Não tínhamos frascos de medicamentos com tampas "à prova de criança" nem fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas. Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacete.
Quando éramos pequenos, viajávamos em carros sem cintos e airbags; viajar à frente era um bónus. Bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e sabia bem. Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos gasosa com açúcar, mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora. Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso. Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que nos esquecêramos de montar uns travões. Depois de acabarmos num silvado, aprendíamos. Saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer. Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.
Não tínhamos PlayStation nem X-Box. Nada de quarenta canais de televisão, filmes de vídeo, "home cinema", telemóveis, computadores, DVD, "Chat" na Internet. Tínhamos amigos - se os quiséssemos encontrar íamos à rua. Jogávamos ao elástico e à barra e a bola até doía! Caíamos das árvores, cortávamo-nos e até partíamos ossos, mas sempre sem processos em tribunal. Havia lutas com punhos, mas sem sermos processados. Batíamos às portas de vizinhos e fugíamos e tínhamos mesmo medo de serm apanhados. Íamos a pé para casa dos amigos. Acreditem ou não, íamos a pé para a escola; não esperávamos que a mamã ou o papá nos levassem. Criávamos jogos com paus e bolas. Se infringíssemos a lei, era impensável os nossos pais nos safarem. Eles estavam do lado da lei.
Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre. Os últimos cinquenta anos têm sido uma explosão de inovação e de ideias novas. Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo. [(...) Tivemos] a sorte de crescer como verdadeiras crianças, antes dos advogados e dos governos regularem as nossas vidas, "para nosso bem".
(...) Isto, meus amigos é surpreendentemente medonho... E talvez ponha um sorriso nos vossos lábios. A maioria dos estudantes que estão hoje nas universidades nasceu em 1986 ou depois. Chamam-se jovens. Nunca ouviram "We are the world" e "Uptown girl" conhecem de Westlife e não de Billy Joel. Nunca ouviram falar de Rick Astley, Banarama ou Belinda Carlisle. Para eles, sempre houve uma só Alemanha e um só Vietname. A sida sempre existiu. Os CD sempre existiram. O Michael Jackson sempre foi branco. Para eles, o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele gordo tivesse sido um deus da dança. Acreditam que "Missão impossível" e "Anjos de Charlie" são filmes do ano passado. Não conseguem imaginar a vida sem computadores. Não acreditam que houve televisão a preto e branco.»

Achei que o texto me merecia um comentário. Começando pelo óbvio: os jovens que desconhecem Billy Joel, Rick Astley, Banarama ou Belinda Carlisle conhecem muitas outras coisas que são chinês para os seus pais, logo à cabeça as tais Playstation e X-Box, já para não falar do computador, que qualquer miúdo é capaz de pôr a dançar a conga enquanto o pai procura o botão da energia. Sabem o que é um bit, um byte, um mp3 e um mp4. Dactilografam com a velocidade dum virtuoso do piano, carregam consigo música suficiente para encher vinte horas numa coisinha do tamanho duma máquina de calcular e gostam de CSI, House e Dragonball. Cada geração tem os seus pontos de referência musicais e culturais e não vale a pena censurá-los por causa disso.

Em segundo lugar, se olharmos para a mortalidade até aos cinco anos de idade nos anos sessenta e a compararmos com a mortalidade actual para a mesma faixa etária e se fimos igual comparação para a esperança média de vida, veremos que talvez retirar as tintas com chumbo das caminhas tenha mesmo sido para o nosso bem e não um mero capricho dos governos.

Em terceiro lugar, devo chamar a atenção para a incongruência de datas: os anos sessenta, setenta e oitenta foram há menos de cinquenta anos. Ora, se os progressos vertiginosos tiveram lugar nesses últimos cinquenta anos, como é referido no texto, então são produto dum momento anterior ao nascimento, ou, pelo menos, à entrada no mercado do trabalho, dos nascidos naquelas décadas.

Concordo que a educação das crianças enferma de graves problemas, como é ventilado no terceiro parágrafo. Mas termino chamando a atenção para o facto de que são os nascidos nos anos sessenta, setenta e princípios de oitenta que são hoje pais, advogados e governantes. Logo, são aqueles que tiveram uma infância tão boa que agora regulam para que as crianças de hoje não possam usufruir da mesma qualidade de tintas ou de água da mangueira nem possam enfrascar-se com lixívia ou mata-ratos... São esses pais que davam dois murros no vizinho e depois iam lanchar juntos porque eram os melhores amigos que agora processam o vizinho porque o filho deste arranhou o seu rebento. É caso para perguntar: por que não deixais os vossos filhos viver alegre e despreocupadamente como vós vivestes?



Lamentado por G.M.S.M.C. às 18:34
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Sexta-feira, 10 de Abril de 2009
Viver vinte e sete anos depois

Viver


Primeiro foi o céu:
a nuvem tornou-se cor do breu,
a névoa com o seu manto de tule
pintou de cinzento o que era azul;
o fumo não parou de crescer,
pardais e canários para viver
rumaram ao sul.

E foi a vez do rio:
as águas correm em desafio,
escuras de espuma a fervilhar,
afogadas de óleo vão matar
o peixe e a vida de quem vive
se o rio durar.

Vem salvar a terra destruída,
a floresta devastada,
a planície ressequida;
para que viva a vida de amanhã,
salvar a flor do monte
e a brisa da manhã.

Hoje há uma cidade
onde a flor não cresce em liberdade,
enterrada em ferro, em cimento,
já murcha sem terra e de tormento:
secaram-lhe a seiva da alegria,
numa floresta de pedra fria
morre sem alento.

Num canto, uma criança,
que rasga na face uma lembrança
e brinca na rua sem verdura,
mas tem ainda a esperança futura
de ser amanhã homem, mulher,
a quem não impeçam de viver
em terra mais pura.

Vem salvar a terra destruída,
a floresta devastada,
a planície ressequida;
para que viva a vida de amanhã,
salvar a flor do monte
e a brisa da manhã.

 

Esta canção foi editada no álbum "Violeta Flor", de Ana Faria, em 1982. Passaram, portanto, vinte e sete anos. Se a Terra estava destruída nessa altura, tudo o que fizemos até hoje foi piorar o estado de coisas. Até quando vamos continuar a ignorar que o futuro da Terra depende de nós e que nós dependemos do futuro da Terra?

Um amigo dizia-me, há tempos, que ser amigo dos animais é, antes de mais, ser amigo de nós mesmos, porque fazemos parte do mesmo meio ambiente e não podemos viver sem ele. É difícil entender que a preocupação ambiental é mais egoísta do que altruísta, que sem uma biosfera que nos suporte é impossível viver?

Dizem os entendidos que a civilização que habitou a ilha de Páscoa e lá deixou gigantescas cabeças de pedra se extinguiu porque se esgotaram os recursos naturais da Ilha. Até quando vamos fazer da Terra uma ilha de Páscoa?



Lamentado por G.M.S.M.C. às 13:15
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Sexta-feira, 6 de Março de 2009
Como chegar a todo o lado de autocarro

É com imenso prazer que anuncio a todos os portuenses em geral e ao mundo em particular a extensão do programa MetrO! à rede de autocarros da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto. A partir de hoje (ou, mais propriamente, a partir do lançamento da nova versão do programa, que deverá acontecer algures num futuro talvez não muito longínquo), é possível a qualquer pessoa munida dum telemóvel (dentro dalgumas limitações que são melhor explicadas pelos autores do programa do que por mim), saber que autocarro, metro ou comboio apanhar para chegar a qualquer ponto da área metropolitana do Porto que seja servida por transportes públicos.

Esta pequena maravilha pode ser descarregada gratuitamente através do endereço: http://metro.nanika.net.



Lamentado por G.M.S.M.C. às 22:53
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Terça-feira, 3 de Março de 2009
E o Mundo acabou mesmo

"Podia acabar o Mundo
Desabar a ponte sobre o Tejo
Que eu viria do fundo do mar
Só para te dar mais um beijo
"

 

Certo de que o leitor já reconheceu a proveniência destes versos, escuso-me a explicar o enredo da telenovela "Podia Acabar o Mundo", principalmente porque tal me obrigaria a uma de duas coisas: ou ler secção da TV Guia que contém as sinopses das telenovelas que passam na televisão, ou sentar-me em frente ao televisor e efectivamente ver a telenovela. Portanto, vou avançar directamente para o meu comentário, que me andava aqui  a pedinchar para ser partilhado consigo, caro leitor.

Nunca tanto disparate se condensou numa só estrofe! Duvida?

Ora veja: "podia acabar o Mundo". Até aqui, tudo bem. O mundo bem que podia mesmo acabar, a ver se, com ele, acabava também a crise.

Mas continuemos: "desabar a Ponte sobre o Tejo". Ora aqui está uma comparação bem escalada! De facto, não sei do que tenho mais medo: de que o mundo acabe ou de que a Ponte sobre o Tejo desabe. Se, por um lado, o fim do mundo é capaz de ser um bocado desagradável, o desabamento da Ponte sobre o Tejo coloca vários problemas de logística. Em primeiro lugar, Almeida Santos poderia, qual fénix renascida, fazer valer o seu argumento, tão criticado na altura, a favor da localização do aeroporto na Ota, por receio de que a outra ponte sobre o Tejo, a Vasco da Gama, também desabasse, isolando assim a Capital do seu aeroporto. Em segundo lugar, se o fim do mundo poderia, como já foi explicado, trazer consigo a boa notícia do fim da crise, o desabamento da Ponte sobre o Tejo poderia ter o efeito contrário: imagine-se que vai a passar a carrinha de valores com os vinte mil milhões de euros com que o Governo avaliza os empréstimos aos bancos portugueses como medida de combate à crise quando a ponte desaba: é tudo prejuízo, não!? Em terceiro lugar, há sempre a velha questão das férias: sem Ponte, como se chega ao Algarve? Como se vê, existem boas razões para temer igualmente o fim do mundo e o desabamento da Ponte sobre o Tejo.

Mas, mesmo assim, com ou sem ponte, com ou sem fim do mundo, "eu viria do fundo do mar só para te dar mais um beijo". Fica sempre bem uma vontade beijoqueira destas. Afinal, o que é o fim do mundo comparado com um beijo arrebatadoramente apaixonado? Fica-me só uma dúvida: se o Tejo é um rio, a Ponte, ao desabar, não devia cair no rio e não no mar? Então como é que ele vem do fundo do mar, se caiu ao rio? É capaz de a correnteza ser forte naquela zona...

Agora, o que não pode mesmo ser é a rima! Tejo não rima com beijo! É capaz de, em Lisboa, tal ser possível, mas em qualquer sítio onde se saiba falar Português, é mais do que sabido que beijo se pronuncia "beijo" e não "bêjo", pelo que não pode nunca rimar com Tejo, a não ser que o rio seja transvasado para o Porto, passando, obviamente a chamar-se "Teijo". Aí, realmente, já pode haver rima...



Lamentado por G.M.S.M.C. às 21:32
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Sábado, 14 de Fevereiro de 2009
A ver se eu e os enfermeiros nos entendemos

A minha pequena provocação à classe profissional referida no título deste artigo mereceu comentários exasperados de leitores por mim totalmente desconhecidos e foi o único texto que continuou a merecer comentários mesmo depois de eu ter suspendido a actividade bloguita, o que muito me surpreendeu.

Porém, para este facto encontrei facilmente a explicação fazendo uma pesquisa no Google: utilizando as palavras-chave "punção venosa", o meu texto surge em oitavo lugar na lista de resultados, o que só prova que o Google não é tão esperto quanto isso, pois acredito que a maioria das pessoas que introduz aquelas palavras-chave sejam enfermeiros ou estudantes de enfermagem em busca de material formativo ou informativo e acredito que não seja menos surpreendente do que desagradável dar com "O Muro das Lamentações" nesse contexto. Mas, pelo menos, está esclarecido o mistério da continuação dos comentários de pessoas desconhecidas (já que, normalmente, quem me comenta são pessoas que eu conheço ou, não as conhecendo, são limitadas no tempo e geralmente devido ao destaque que, ocasionalmente, o Sapo dá ao "Muro").

Importa, no entanto, esclarecer certos aspectos, não vá um dia ser acusado de perseguição, discriminação ou desrespeito dessa classe profissional. Assim, este artigo serve primordialmente para esclarecer que não me move nenhum instinto persecutório contra os enfermeiros; vou tentar explicar porquê.

Em primeiro lugar, a enfermagem é uma profissão indispensável à prestação de cuidados de saúde e o enfermeiro é parte essencial de qualquer equipa de profissionais que pretenda prestar cuidados primários, hospitalares ou continuados, embora, naturalmente, o seu grau de importância varie de contexto para contexto e de especialidade para especialidade.

Em segundo lugar, está demonstrado por vários estudos que os enfermeiros igualam ou superam os médicos na execução de determinadas tarefas clínicas, nomeadamente a nível dos cuidados primários. Tendo em conta a maior duração do treino médico e os maiores ordenados auferidos, parece-me claro que o futuro está na transferência de tarefas do lado médico para o lado da enfermagem, pois, do ponto de vista económico, não se justifica ter profissionais altamente especializados a realizar tarefas que podem ser realizadas com iguais (ou melhores) resultados por profissionais menos diferenciados.

Em terceiro lugar, tenho bons amigos enfermeiros e todos eles excelentes profissionais.

Em quarto lugar, seria suicida. Por um lado, como médico, tenho necessidade de contactar diariamente com enfermeiros e está claro que ter más relações com os colegas de trabalho só contribuem para criar mau ambiente e para diminuir, quer a satisfação, quer o desempenho profissionais. Por outro lado, como alguém fez questão de me lembrar num dos comentários, é provável que, mais cedo ou mais tarde na minha vida venha a precisar dos cuidados dum enfermeiro. Na verdade, já precisei várias vezes e eles já meteram água duas vezes, numa cateterização e numa punção venosa, o que não me deixa muito bem impressionado, mas adiante!

Porém, mandei uma alfinetada aos enfermeiros; porquê? Tal como qualquer equipa desportiva necessita dum capitão para poder actuar eficazmente em campo, a equipa de saúde precisa também de alguém que assuma responsabilidades de coordenação. Esse papel cabe e tem de caber ao médico, porque, em último caso, este é o responsável por todo o cuidado prestado ao doente. A minha experiência diz-me que muitos enfermeiros têm dificuldade em aceitar tal facto.

Já vi enfermeiros a dizerem aos doentes que acabam de sair do consultório que o médico está errado e para reclamarem. Não estou a dizer que os médicos são infalíveis, bem pelo contrário: vêem-se erros de bradar aos céus! Estou a dizer é que, como elemento da equipa, deve o enfermeiro discutir os seus argumentos com o médico e não instigar o doente contra este, pois, se, a curto prazo, pode estar a ajudar o doente ao corrigir o erro do médico, a longo prazo o efeito será retirar confiança ao doente no seu médico e, por inerência, a toda a equipa dos cuidados de saúde.

Já vi enfermeiros a escreverem receitas dentro dum consultório. Eram fármacos não sujeitos a receita médica e o papel era dum bloco de notas, ou seja, nada de ilegal. Todavia, estando o médico a examinar o doente, não cabe ao enfermeiro começar a escrevinhar no seu consultório mezinhas para o doente. A prescrição ainda é um acto médico e não de enfermagem e sei também por experiência que os enfermeiros não gostam de ver os médicos a imiscuir-se nas suas tarefas.

Já vi enfermeiros a impedir médicos de efectuar punções venosas por estarem em greve. Um médico está habilitado a efectuar tal procedimento e, se são os enfermeiros que o fazem habitualmente, na falta destes, pode o médico realizá-lo. Respeito o direito à greve e compreendo muitos dos motivos de reivindicação, mas respeito mais o direito à vida e não aceito que uma mãe não possa usufruir dos cuidados médicos a que tem direito enquanto dá à luz porque os senhores enfermeiros não concordam com as políticas do Ministério da Saúde (a cena que acabo de relatar passou-se num bloco de partos).

Em suma, a ver se eu e os enfermeiros nos entendemos: o papel da enfermagem é imprescindível na prestação de cuidados de saúde, mas os outros papéis são igualmente importantes e, para que todos funcionem harmoniosamente, é necessário que haja coordenação, a qual deve ser supervisionada pelo médico, ao qual todos os intervenientes devem satisfações.



Lamentado por G.M.S.M.C. às 19:18
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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009
Homenagem a Pedro Barroso

Não sou ninguém para homenagear ninguém. Não tenho medalhas, comendas nem prémios para oferecer. Mas fica aqui registada a minha singela admiração por um grande poeta, compositor e cantor, ou simplesmente cantautor, como lhe chamam agora, esquecendo que, desde sempre, os compositores interpretaram as suas obras, chamado Pedro Barroso, o qual não recebe, a meu ver, a estima que lhe é devida pelos seus conterrâneos, pois, infelizmente, nem sempre o mérito é o único critério na distribuição da fama e do reconhecimento público e Pedro Barroso é, por isso, para muitos, desconhecido, apesar do seu imenso valor artístico e não só.

Talvez ele mesmo não se importe com esse facto; a música que continua a fazer, reflexo daquilo em que acredita, não passa talvez nas rádios cujo único critério é a captação de mais um punhado de ouvintes à força de repetir até à náusea o último sucesso duma qualquer banda-relâmpago criada à martelada num qualquer programa televisivo (seja concursos ou telenovelas), que se tornou a música oficial dum qualquer Verão à custa dum refrão cujo conteúdo é de bradar aos céus, o que facilmente verificaríamos se parássemos por um momento de abanar a cabeça para cima e para baixo ao ritmo da batida de fundo (igual a todas as batidas de fundo de todas as canções oficiais dos Verões anteriores e dos que estão por vir, diga-se de passagem), que nos provoca certamente lesões cerebrais, para reflectir um pouco, mas que, por a harmonia ser uma cópia do Canon de Pachelbel, entra facilmente no ouvido e nos deixa a trauteá-lo inconscientemente, mas é uma música que vale a pena conhecer, pelo que deixo aqui as minhas três preferidas.

Espero que também o caro leitor se deixe render à simplicidade sublime do amor e percorra este nosso Portugal dizendo o que vai no peito à chuva, ao sol, ao vento e ao mar!



Lamentado por G.M.S.M.C. às 19:42
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Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009
A pasta de dentes ou o fim das liberdades individuais

Uma das últimas vezes que viajei de avião foi para um estadia de apenas três dias (sendo que o dia da viagem de ida e o do regresso contam), pelo que dispensei a bagagem do porão e levei apenas uma pequena mala de mão com o essencial para poder efectuar a minha higiene e poder mudar de roupa.

Para efeitos do primeiro objectivo, incluí, entre outras coisas, uma bisnaga de pasta de dentes, mas vim a descobrir, já no aeroporto, que me estava vedado lavar os dentes durante a viagem, pois a embalagem da pasta de dentes tinha, vá-se lá ver, duzentos e cinquenta gramas e só é permitido, à luz da directiva europeia de segurança em aeroportos, transportar na bagagem de mão até cem mililitros. Dirá o leitor:

- Pois, agora é assim, habitue-se.

Ao que eu respondo:

- Eu era conhecedor de ambos os factos.

E comenta o leitor:

- Então para que emalou a pasta de dentes, se sabia que não ia poder transportá-la no avião?

Espero que, quando chegar ao fim da minha narrativa, essa questão esteja devidamente esclarecida. Continuemos, então!

Chegado ao tapete rolante e à portinhola onde temos de nos despir para provar que somos cidadãos honestos e dignos de ser levados para dentro do pássaro de ferro, perguntaram-me se levava líquidos e computador e eu respondi que sim a ambas as questões, pelo que a menina que efectuava a segurança se ofereceu para tirar os frascos da mala enquanto eu tirava o computador da pasta, o que eu aceitei. Foi então que, chegada à embalagem do dentífrico, a menina me disse que não ia poder levá-la comigo porque tinha duzentos e cinquenta gramas, e só podia levar até cem mililitros na bagagem de mão. Expliquei-lhe então que a lei é muito clara, referindo-se a volumes e não a pesos, e que a relação de um para um na conversão de mililitros em gramas apenas é verdadeira na água pura, pelo que o facto de a minha pasta de dentes ter duzentos e cinquenta gramas de peso não significa (em teoria, pois ambos sabíamos que as coisas eram ligeiramente diferentes na prática) que exceda os cem mililitros de volume. A menina acompanhou o meu raciocínio, mas como a sua função é fazer o que lhe mandam sem questionar e alguém lá em cima a mandou não pactuar com prevaricadores armados em físicos teóricos, fui reenviado para a esquadra da polícia, a fim de apresentar queixa.

Ora, na esquadra da polícia, deparei-me com um agente entradote e barrigudo, que tinha mais de funcionário da repartição das finanças do que de força da autoridade. Quando lhe expus o meu problema, limitou-se a sacar dum papelinho que se encontrava zelosamente guardado no bolso da farda e que continha as instruções para lidar com aquelas situações e a ler-mo. Apesar do mesmo nada dizer a respeito de pastas de dentes ou de gramas, o agente apressou-se a acrescentar no final de leitura que a minha pasta de dentes estava absolutamente interdita a bordo. Como eu não me dei por satisfeito, o agente ligou para o sapientíssimo chefe, que confirmou as sagradas escrituras do papelinho regulamentar e interditou a minha pasta de dentes.

Nada mais me restando a fazer, voltei para a zona de controlo e resignei-me a ficar sem pasta de dentes. No entanto, foi então que o vento girou a meu favor: enquanto eu estivera na esquadra, a equipa de segurança mudara, pelo que ninguém conhecia o meu problema e a solução apresentou-se-me nítida: separei os frascos regulamentares para um lado e pasta de dentes para o outro e, quando me perguntaram se levava líquidos, enteguei tudo o ue tinha, deixado a pasta de dentes bem guardada no fundo da mala e fui para a porta de embarque.

Desta história ressaltam dois factos espantosos: o primeiro é que as apertadas malhas da segurança anti-terrorista da União Europeia são facilmente transpostas sem ser preciso passar meses a treinar num campo perdido algures no Afeganistão (e não se diga que foi por ser em Portugal, pois, na viagem de regresso, a mesma estratégia produziu os mesmos frutos no aeroporto de Copenhaga); o segundo é que estamos a abdicar progressivamente de liberdades individuais que foram conquistadas ao longo, sobretudo, do século XX, em nome duma ameaça não muito bem especificada, sem que tal pareça preocupar-nos ou, o que é pior, sem sequer nos darmos conta dessa perda.

É principalmente este último facto que me preocupa. Os governos europeus, em nome da segurança dos seus cidadãos, estão a montar verdadeiros sistemas orwellianos de vigilância e estão a limitar as liberdades individuais a cada passo, sem que nós, os cidadãos que tanto querem proteger, nos sintamos mais seguros por causa disso. Pelo contrário, arrisco mesmo a dizer que os únicos efeitos obtidos por esta via são complicar a vida do cidadão comum, já que um terrorista que queira deitar um avião contra um prédio, pode facilmente fazê-lo por outros meios que não levando cento e um mililitros dum líquido qualquer para o aeroporto. No outro prato da balança, pesa a invasão da privacidade a que somos todos sujeitos e uma certa histeria colectiva que nos leva a olhar de lado todos os sujeitos morenos, de barba e turbante - leia-se xenofobia - e a deitar as mãos à cabeça de cada vez que um estudante mais distraído se esquece da mochila da escola no metro.

Acho que é tempo de dizermos "basta!" Acho que é tempo de confiarmos uns nos outros e de vivermos calmamente em paz. A alternativa é entrarmos por um caminho que nunca se sabe bem onde vai terminar. Afinal, os regimes autoritários começam sempre com a melhor das intenções.



Lamentado por G.M.S.M.C. às 20:35
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Sábado, 24 de Janeiro de 2009
Manifesto anti-hippie

Não é necessariamente contra os hippies especificamente que escrevo, até porque acredito que, hoje em dia, pouco restará de hippie nas filosofias de vida alternativas com raízes nesse movimento com que tenho contactado recentemente.

Vem então a propósito das raparigas com quem partilho a casa em Copenhaga (felizmente, só até ao final da semana que amanhã se inicia) e da visita que fiz a esse paraíso na Terra que é Christiania. Em ambos os casos, parece-me haver uma certa confusão entre despojamento e desarrumação, entre desapego aos bens materiais e desperdício de dinheiro, entre comunhão com a natureza e imundície, e entre relaxamento e preguiça.

Acima de tudo, o que me surpreende é que, aparentemente, estes estilos de vida alternativos - ao convencional, suponho eu, e, como tal, difíceis de enquadrar numa sociedade onde, supostamente, todos deveríamos ser iguais e ter os mesmos direitos e deveres, mas vamos ficar por aqui, que isto agora dava pano para mangas - deviam fazer mais felizes aqueles que os adoptam. No entanto, não pressupõe a noção de felicidade que exista aceitação do próprio por si mesmo? Mais, gostarmos da vida tal como ela é não é felicidade? Então, como pode uma pessoa dizer-se feliz quando consome substâncias que lhe alteram a consciência? Como pode uma pessoa ser feliz quando precisa de esquecer a sua vida para atingir esse estado de felicidade?

Eu consigo desinibir-me sem beber; eu consigo rir desbragadamente sem fumar erva; eu consigo ter ideias estapafúrdias sem cogumelos; eu sinto-me bem comigo e com o mundo sem inalar pó branco. Conseguirão as minhas companheiras de residência e todos os que frequentam Christiania dizer o mesmo?...



Lamentado por G.M.S.M.C. às 21:51
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Domingo, 18 de Janeiro de 2009
Regresso

Este pequeno texto é apenas para comunicar aos eventuais interessados o meu regresso à blogosfera, através do tão amado e contestado Muro das Lamentações.

Surpreendentemente, cheguei à conclusão de que há algumas pessoas que até gostam de ler aquilo que eu escrevo; a continuação do blogue é-lhes expressamente dedicada.

Notei também, com uma certa curiosidade, que, depois de ter suspendido o blogue, o mesmo continuou a ser comentado, com particular incidência numa pequena boca que mandei a essa classe profissional que adoraria ter um curso de Medicina, mas que infelizmente não chegou lá.

Decidi, pois, continuar, não com a frequência com que vina escrevendo, nem abordando assuntos tão díspares (acabaram-se as críticas cinematográficas, teatrais e literárias, bem como a foto do dia e a música com dedicatória, pelo menos como elementos regularmente presentes), mas sempre autêntico, doa a quem doer (enfermeiros incluídos), e coerente com aquilo em que acredito.

De vós que me ledes, continuo a não esperar que gosteis, pois o blogue continua a ser meu e, como meu que é, é para eu gostar. Se agradar a mais alguém, melhor; se desagradar a muita gente, melhor ainda.



Lamentado por G.M.S.M.C. às 19:24
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Sábado, 19 de Abril de 2008
«Manual de Instruções»

É preciso um manual de instruções para conseguir entender a mensagem que nos é enviada durante três quartos de hora. Eu, pela minha parte, não sendo extremamente dotado de inteligência, saí do Balleteatro com a mesma sensação com que costumava sair das aulas na faculdade: é tudo muito bonito mas eu não percebo nada. Isso incomoda-me.

Podia avançar para aqui meia dúzia de explicações ou de interpretações possíveis; surgiram-me muitas enquanto a peça decorria. Devem estar todas erradas. Isso também me incomoda.

Não há interpretações certas e erradas, há interpretações possíveis. Isso é o que torna a arte bela e terrível ao mesmo tempo. Isso incomoda-me mais que o resto.

Não senti que valesse o preço do bilhete. Isso, definitivamente, incomoda-me.


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Lamentado por G.M.S.M.C. às 23:47
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A melhor resposta

«Estamos na Ponta do Sol, mas o Sol hoje pregou-nos uma partida.»

Cavaco Silva, respondendo a um jornalista que lhe perguntou se tem estima pessoal e política por Rui Rio.



Lamentado por G.M.S.M.C. às 20:57
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D. Fuas na Nazaré

Lá para as bandas da Nazaré
houve um grande burburinho
As mulheres de roupão
e D. Fuas de Roupinho.



Lamentado por G.M.S.M.C. às 15:24
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Sexta-feira, 18 de Abril de 2008
So lang man Träume noch leben kann

Ein Jahr ist schnell vorüber,
wenn der Regen fällt,
ein Meer voller Fragen.
Ich steh` dir gegenüber
in Erinnerung vergangener Tage.

 

Das große Ziel war viel zu weit,
für uns`re Träume zu wenig Zeit.
Versuchen wir es wieder,
so lang` man Träume noch leben kann.

 

Ein Jahr ist schnell vorüber,
wenn der Nebel kommt
mit silbernem Schweigen.
Du stehst mir gegenüber,
und es fällt mir schwer, dir Liebe zu zeigen.

 

Das große Ziel war viel zu weit,
für uns`re Träume zu wenig Zeit.
Du weißt genau, daß irgendwann
einmal ein Wunder geschehen kann.
Versuchen wir es wieder,
so lang` man Träume noch leben kann.

 

Ich brauch` dich, das weißt du
versuchen wir es wieder,
so lang` man Träume noch leben kann.
Das große Ziel war viel zu weit,
für uns`re Träume zu wenig Zeit.
Du weißt genau, daß irgendwann
einmal ein Wunder geschehen kann.
Das große Ziel war viel zu weit,
für uns`re Träume zu wenig Zeit.
Du weißt genau, daß irgendwann
einmal ein Wunder geschehen kann.
Versuchen wir es wieder,
so lang` man Träume noch leben kann.
Versuchen wir es wieder,
so lang` man Träume noch leben kann.


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Lamentado por G.M.S.M.C. às 23:52
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Quinta-feira, 17 de Abril de 2008
Estranho

1. Na Bélgica há 313 médicos por cem mil habitantes.

2. Em Portugal há 342 médicos para os mesmos cem mil habitantes.

3. O Governo belga diminuiu as vagas em Medicina por causa do excesso de médicos.

4. O Governo português aumentou as vagas em Medicina por causa da falta de médicos.

É preciso comentar?



Lamentado por G.M.S.M.C. às 17:17
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Segunda-feira, 14 de Abril de 2008
Despreocupações

Um outro assunto recorrente que voltou à baila recentemente, com a notícia da contratação de Jorge Coelho pela Mota-Engil, é a dos saltos entre cargos públicos e privados (ou exercício imultâneo de ambos) e os conflitos de interesses associados.

Não é a primeira vez que um ex-ministro ocupa posições em empresas com as quais teve ligações no exercício das suas funções ministeriais e acredito que não será a última. Um pouco diferente, mas todavia no mesmo sentido, foi recentemente publicada na Visão uma reportagem a respeito de vários deputados à Assembleia da República que integram comissões parlamentares que analisam e produzem propostas legislativas sobre assuntos nos quais esses deputados têm interesse profissional directo, através dos clientes que representam (a maioria são advogados). Trata-se dum fenómeno transversal a todas as bancadas parlamentares, que levanta a questão sobre se a Assembleia da República lgisla no melhor interesse do País ou dos clientes dos deputados.

Ao contrário do assunto da semana passada, em que era clara a existência de violação da legalidade, os factos que aqui abordo ocorrem no estrito respeito da legislação aplicável no quadro das incompatibilidades e a sua discussão é bastante mais delicada, pois facilmente pode resvalar para extremismos facilmente refutáveis.

Posso começar já pela conclusão: não tenho nenhuma solução para o problema. Dum lado, argumentar-se-ia um período de interdição em que o ex-ministro não possa ocupar cargos ligados a empresas ligadas a sua tutela ministerial ou a proibição de que os deputados votem sobre assuntos em que possa haver qualquer tipo de conflito de interesses. Do outro, facilmente se defende a necessidade de que o legislador ou o detentor do poder executivo seja alguém dentro dos meandros daquilo que se propõe regular; para mandar, é preciso saber fazer. O problema reside, no entanto, na tal questão da idoneidade das decisões assim tomadas. Mais, qual será o político que tomará uma decisão que o prejudique junto dos seus pares profissionais, ainda que possa ser a melhor globalmente falando?

Como se percebe, o equilíbrio é difícil e encontrar uma solução de consenso impossível. O actual quadro legal estabelece já bastantes limitações ao exercício dos mandatos. Talvez lhe falte intervir também no período imediatamente após o mandato (ficando a definição de "imediatamente" ao critério do leitor).


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Lamentado por G.M.S.M.C. às 18:45
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